De dentro para fora

Quase ninguêm vê

5 de maio de 2017

Quase ninguém vê que quanto mais o tempo passa, mais aumenta a graça em te rever.

Vão passar-se anos e vou até acreditar que você poderia passar desapercebido, como uma pessoa qualquer, como se fosse assim tão fácil fingir nunca tê-lo tido.

O coração dispara, sem pensar nas consequências o corpo perde a calma e nesse ritmo descompassado entre a razão e a emoção, corro para os seus braços numa tentativa de mais uma vez acalentar a alma.

Quase ninguém vê que parte de mim permanece em você e que partir é algo agonizante quando de fato se deseja ficar, ainda que seja somente por mais um instante.

Quase ninguém vê que ainda com uma vida inteira de partidas, o coração por alguma razão desconhecida, nunca ao certo entendeu o significado da despedida.

Não vou voltar tão cedo, mas vou voltar por alguma razão que nunca consegui entender. E vou voltar porque eu amei te ver.

Quase ninguém vê que há tanta confusão entre o presente e o que um dia foi, mas que inexplicavelmente nunca deixou de ser.

Quase ninguém vê que quanto mais o tempo passa, mas me convenço de que sei mais de você do que gostaria de saber.

Quase ninguém vê que tudo o que gostaria que você soubesse, sai sem eu dizer e sem que você confirme eu sei que consegue entender.

Quase ninguém vê que o meu coração quando abalado é cilada certeira para que eu fique vulnerável e não consiga esconder o meu desejo que nessas circustâncias, se torna incontrolável.

Quase ninguém vê que o corpo envelhece e o coração ainda crianção em momentos de fragilidade age sem o menor juízo, ignorando toda a razão.

Quase ninguém vê que é o coração que fala, quando a mente não entende exatamente o que se passa e desorientada se cala.

Quase ninguém vê que o tempo embora com seu grande poder de tudo curar, acabou por se esquecer dessa enorme ferida cicatrizar e no passado nos deixar.

Quase ninguém vê que ao girar do mundo, estou sempre encontrando um jeitinho de em você de novo me esbarrar e perto como quem não quer nada chegar e sem nem mesmo planejar, toda minha vulnerabilidade revelar.

Quase ninguém vê que desapareço em você quando tento te encontrar e tenho uma leve suspeita de que você até  parece desse caos gostar.

Quase ninguém vê que eu não me esqueci de quem eu sou e o quanto devo à você, e volta e meia me pego a imaginar se um dia desses, ou quem sabe numa outra vida, nossos corações irão de novo se encontrar.

Quase ninguém vê que aquilo que o tempo levou e a vida transformou, mesmo que ainda as vezes com tanto querer é agora quase impossível resgatar.

Você sabe que não importa quantas vezes eu vá, eu sempre irei voltar…Tenta me reconhecer no seu olhar?

Quase ninguém vê que por trás de tanta braveza, resta um coração que ainda valente desconhece a frieza e inconsequentemente quando de bobeira, se rende à beleza da sua, para tantos, desconhecida delicadeza.

No correr descompassado do tempo que voa, o tempo voraz nem vi por mim passar e tudo de você que aqui habitava, o tempo na correria sempre muito ocupado, se esqueceu de aqui de dentro arrancar.

Quase ninguém vê que a cada reencontro, a dor na consciência não falha em atormentar então, recomeço do zero sem reclamar.

Ao me dar conta de que não sei da próxima vez, quase ninguém vê que a cada despedida, morre um velho pedaço de mim a cada nova partida.

Eu ainda estou aqui…

 

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1 Comentário

  • Resposta Jéssica Bertolla 8 de maio de 2017 em 00:33

    Lindo e como sempre profundo. 😘

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